A filosofia:

A nobre arte de transferir imagens, extensão da arte de criá-las, evoluiu ao ponto dos historiadores da arte classificarem uma época chamada “era da reprodutividade técnica”.

É importante, para entender as implicações desta observação, qualificar a palavra “arte” e diferenciar os três âmbitos desta mesma palavra, “arte” (transferir, criar, reproduzir).

Em primeiro lugar, a etimologia da palavra “arte” remete à execução de algo (que nos tempos da Grécia antiga envolvia alguma forma de manufatura).
Este sentido de “arte” passou a ser aplicado a trabalhos onde o executor demonstrava virtuosismo, e com o tempo veio a agregação de valor a trabalhos considerados “únicos” e chamados “obras de arte”.

A criação e execução destes “artistas” eram ações indissolúveis ou indistintas. Com o desenvolvimento das técnicas, chegou-se a falar em “sete artes” (o “Manifesto das Sete Artes”, do italiano Ricciotto Canudo, escrito em 1923 e ainda hoje mencionado pela Academia Brasileira de Arte).

Entretanto, após o advento da fotografia e do cinema, chegamos à atividade (arte) da reprodução, feita por máquinas e/ou profissionais dedicados a simplesmente (não menos nobre por isso)- reproduzir. O conceito da “obra de arte” foi ampliado para “o estado da arte”, significando a mais exímia condição de execução de algo.

Mas, todas estas são palavras, os nomes que damos às coisas. A nós interessa especificamente a transferência da imagem (sua reprodução) e mais especificamente, usando a tecnologia serigráfica.

Daí o nome da série de artigos que segue, o filósofo serigráfico. Quem disse que para imprimir algo não precisa pensar?

Ary Luiz Bon